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 Historia de Ivan o Terrivel

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MensagemAssunto: Historia de Ivan o Terrivel   Sex Mar 12, 2010 9:14 pm

Shocked Entre o inferno e a boa mesa

ao contrário dos demais príncipes europeus ocidentais, seus contemporâneos, fascinados pelos relatos sobre o Paraíso, Ivan era obcecado pelas imagens pelo Inferno, pela danação das almas, pelos horrores que as aguardavam no Reino de Lúcifer. A leitura mais aprofundada dele era a da Bíblia, de onde extraiu a convicção do poder resultar da vontade divina, a qual ninguém poderia opor obstáculos sem arcar com punições severíssimas. O czar sentia-se bem em meio à liturgia bárbara da igreja ortodoxa, com seus altares coalhados de velas acesas e incensos enfumaçados expelidos das caçoulas. Mas também não desprezava a boa mesa, ao contrário, era um hedonista. Os banquetes que Ivan oferecia, tanto no Kremlin como em Alexandra Sloboda, eram apreciadíssimos. Os convidados estrangeiros espantavam-se com o luxo asiático da corte, com o esbanjamento da comida servida em enormes travessas de ouro maciço, e com as taças com jóias incrustadas, servidas por um exército de incansáveis fâmulos. O próprio Ivan, em faustosos trajes orientais, bordados com fios de ouro, tendo rubis, esmeraldas e diamantes como botões, costumava trocar ainda assim três vezes a sua coroa durante essas recepções à mesa.

Um monstro gótico: nem o gosto pela missa, nem o prazer pela mesa, evitavam que, depois de despachados os hóspedes e demais convidados, Ivan descesse às masmorras (geralmente embriagado), para extasiar-se com o sofrimento infligido aos presos nas câmaras de tortura.

Ele estava longe de ser um príncipe renascentista. Nem o humanismo nem o passado clássico da cultura grega o interessavam. Pode-se dizer que seu universo mental circulava ao redor da Bíblia, dos Evangelhos, quase sempre envolto em seus temores ao sobrenatural, acreditando em magos e feiticeiros, e limitado pelos muros da fortalezas em que se abrigava, dos mosteiros que visitava, e das igrejas que freqüentava. De certo modo ele pode ser classificado como um monstro gótico, medieval, uma gárgula num corpo humano aplacando com sangue seus medos mais profundos.

Ícone de Ivan, o Terrível
Um empecilho ao renascimento e à reforma: pode até cogitar-se que o longo reinado de Ivan, o Terrível, de 1547 a 1584, apesar dele ter mandado construir a catedral de São Basílio (tida como um dos mais belos edifícios religiosos da arquitetura ortodoxa que se conhece, para celebrar a vitória russa sobre os canatos de Astracã e Kazan), foi um entrave a que a Rússia conhecesse, ainda que à distância, as conquistas do Renascimento. Simbólico da sua repressão ao que poderia vir a representar o renascimento russo, foi o exílio forçado do Príncipe Kúrbski que refugiou-se na Lituânia em 1564, de onde enviou algumas cartas ferinas repreendendo Ivan pelo regime de terror que implantara no país. O fato de Kúrbski, um homem culto, tradutor do grego e estudiosos do latim ciceroniano, não poder viver mais em segurança na Rússia é demonstrativo do obstáculo imposto pelo regime do czar totalitário ao avanço do humanismo e do estudo dos clássicos.

A mão de ferro de Ivan também não permitiu qualquer dissidência no campo religioso, fazendo com que a Reforma religiosa, que sacudia o Ocidente quando ele ascendeu ao poder, não tivesse a mínima influência sobre a Igreja Russa Ortodoxa, mantendo-a atrasada em relação às suas congêneres européias. Um manso braço do estado autocrático que naufragou com ele quando ele foi posto a pique em 1917.

O fim de Ivan, o Terrível: : a violência que cercava o mundo de Ivan não podia deixar de fazer vítimas entre a sua própria família e pela própria mão do czar. Em novembro de 1581, diz-se que num acidente, quanto estava em pleno acesso de fúria, Ivan matou um dos seus filhos com um golpe de atiçador na cabeça do jovem, também chamado de Ivan. Quando o czar morreu em 18 de março de 1584, com 53 anos, ouve um suspiro geral de alívio no país inteiro. Os súditos do czar pelo menos podiam voltar a dormir sem ter que preocupar-se em serem despertados no meio da noite pelos mensageiros da morte de Ivan, ou terem que suportar o nauseante cheiro dos cadáveres putrefatos, trazido pelo vento que vinha do Rio Moskva, pois o czar impedia que enterrassem depois das execuções coletivas ordenadas por ele. Mas em outros setores o vazio da sua morte provocou temores e sensação de desamparo, como neste canto entoado pelo metropolita e seu séquito no leito de morte do czar:

Onde está a cidade de Jerusalém?
Onde está a madeira da Cruz doadora da vida?
Onde está nosso Senhor Czar, o Grão-Príncipe Ivan Vassilevitch de toda a Rússia?
Por que deixaste teu Czarado Russo e teus nobres filhos e nos deixastes órfãos a todos nós?

O único filho de que restou dos sete casamentos do czar, o czarevitch Dmitri não durou muito, aparecendo morto em 1591, aos 9 anos de idade. As suspeita-se recaíram sobre o genro de Ivan, Boris Godunov, que entronou-se como czar em 1598. Com a morte do menino herdeiro encerrou-se a linhagem dos Riurikid. Porém a desconfiança lançada sobre a legitimidade do Czarado de Boris Godunov fez com que vários pretendentes se alçassem com ambições ao trono, fazendo com que a Rússia passasse pelo chamado Tempo dos Tumultos (smutnoe vremia), que estendeu-se por quinze anos, de 1598 até a ascensão do primeiro Romanov, o príncipe Miguel Fedorovitch, em 1613.


Ivan matou seu próprio filho, e como sempre fazia, chorou profundamente arrependido
A projeção de Ivan, o Terrível na história: tecnicamente foi ele quem implantou a autocracia na Rússia, fixando as bases de um regime que só seria derrubado pela revolução de 1917. Durante os 370 anos seguintes o princípio do absolutismo extremado perdurou na história russa com poucas alterações. A comparação mais evidente que se faz é entre o reinado de terror de Ivan o Terrível - o decênio negro de 1565-1575 -, e o Grande Terror desencadeado por Stalin entre 1936-38 na URSS. Enquanto o primeiro esmagou os boiardos, o segundo voltou-se contra a velha guarda bolchevique e a elite militar soviética. Se Ivan contou com Andrei Basmanov e com Maliuta Skuratov, os comandantes oprichniki, para suas execuções e prisões em massas, Stalin tinham para o mesmo fim a N.I. Yezhov e, depois, Lavrenti Beria, os chefes dos chequistas (a polícia secreta soviética).

O filósofo Hegel disse certa vez que uma das funções mais nobres do estado é servir como um instrumento pedagógico dos seus cidadãos, procurando educá-los no respeito às regras da vida civilizada. Um estado assassino como o que "a consciência leprosa" (*) de Ivan, o Terrível implantou na Rússia do século 16, introjetou nos súditos e seus descendentes a triste idéia de que o chefe de governo, em certas condições, pode colocar-se acima de tudo o mais na Terra, e que não assiste ao povo, ou qualquer instituição, seja a duma (o parlamento) ou o zemstvo (assembléias provinciais), direito algum em se lhe opor.

(*) expressão do príncipe Kúrbski, em carta a Ivan.

Ivan o Terrível e Stalin: a similitude entre ambos os governos e personalidades foi feita aliás pelo próprio Stalin que, como Ivan, estava convicto de que as matanças e os expurgos eram necessários para consolidar o poder e assim fazer um bem para a Rússia. O fascínio de Stalin pelo tirano que o antecedeu foi tal que chegou a orientar o grande cineasta soviético Sergei Eisenstein, que filmava um longo épico sobre Ivan o Terrível, num sentido positivo. Eisenstein, a princípio, inclinara-se a abordar a vida de Ivan mostrando-o como um terrorista doido e paranóico. Para Stalin, ao contrário, o czar fora um grande governante que dera segurança ao pais ameaçado de todos os lados. Elogiou-o, sem hesitar, pela utilização dos oprichniki, a policia política, no extermínio dos seus inimigos. O único senão, observou Stalin, foi "seu fracasso em liquidar as cinco grandes famílias feudais restantes". Pois bem, justificou-se ele, se Ivan, o Terrível, defendera o Cristianismo Ortodoxo eslavo (ameaçado pelo catolicismo polonês, pelo islamismo dos turcos, e também pelo animismo dos mongóis), Stalin defendia o Comunismo russo (tanto do nacional-socialismo alemão, como do liberalismo capitalista dos norte-americano).

Internamente, Ivan viu seus inimigos agindo entre os altos escalões nobreza e do clero; Stalin os enxergou mais embaixo, entre os kulaks, a classe média rural da União Soviética, que impedia a coletivização da agricultura. Mas as comparações param por ai. Stalin era um revolucionário. Através da centralização total do poder ele realizou uma radical transformação na sociedade russa. A partir do Iº Plano Qüinqüenal (1929-1934), adotando os princípios da economia planificada, proveu o pais de um poderio industrial e bélico que até então inexistia. O seu projeto de desenvolvimento era uma soma das idéias de Marx, com a teoria da vanguarda revolucionária herdada de Lenin, de quem sempre se confessou discípulo. Se por um lado impediu que o povo russo tivesse acesso à liberdade, confinando em massa os opositores e os dissidentes em uma vasta rede de campos de trabalho (GULAG), ele estimulou a juventude russa a interessar-se pelas ciências e pela pesquisa em geral, o que teve efeitos significativos no desempenho futuro do país.

A autocracia de Stalin, porém, não sobreviveu a ele. Morto em março de 1953, o poder na União Soviética foi assumido por um colegiado do Comitê Central do PC soviético. Se bem que sempre tivessem um líder mais saliente (Krushov, Brejnev ou Gorbachov), jamais algum deles chegou a arrebatar o poder, nos 36 anos seguintes a morte de Stalin, da forma absoluta e totalitária como secretário-geral do PC o fizera. Hoje, tanto Ivan, o Terrível, como Joseph Stalin são vistos pela atual geração como manchas escuras, de sangue bolorento, marcando como uma nódoa difícil de ser removida a consciência do povo russo.
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